EVOLVE – Digital Transformation Summit 2026
Gerir centenas de técnicos no terreno, decidir quem deve realizar cada intervenção e garantir uma resposta rápida ao cliente exige cada vez mais automação, dados e capacidade de decisão em tempo real. Foi com esse objetivo que a NOS, em colaboração com a Accenture, transformou as suas operações de Field Service, substituindo a plataforma legacy por uma solução cloud baseada em Salesforce Field Service. O projeto digitalizou todo o ciclo das intervenções no terreno, desde o planeamento e agendamento até ao despacho e execução. A nova plataforma permite alocar recursos de acordo com as competências, disponibilidade e localização, automatizar processos, disponibilizar ferramentas móveis aos técnicos e acompanhar a operação em tempo real. Abrange cerca de 700 técnicos e permitiu migrar 100% das operações de campo para a nova plataforma, com ganhos de eficiência no planeamento, redução de deslocações desnecessárias, maior produtividade e intervenções mais rápidas e previsíveis para os clientes. Mais do que uma substituição tecnológica, o projeto implicou rever processos e formas de trabalhar, num verdadeiro programa de gestão da mudança. Mostra como cloud, automação e dados em tempo real podem transformar uma operação de grande escala, criando uma base preparada para incorporar novas capacidades digitais.
A Mota-Engil, em parceria com a AWS, está a modernizar a sua infraestrutura tecnológica através da migração dos seus sistemas SAP para a cloud, reforçando a resiliência das operações e criando uma plataforma preparada para suportar o crescimento internacional do grupo. O projeto incluiu a migração dos ambientes SAP (ERP e BW) para a AWS, a implementação de uma solução automatizada de Disaster Recovery e a criação de uma Landing Zone segura e governada, preparada para acolher a modernização progressiva de outras aplicações empresariais. A nova arquitetura reduziu o tempo de recuperação de sistemas críticos de horas para minutos, assegurando uma maior continuidade do negócio, e permitiu uma redução estimada entre 20% e 30% nos custos da infraestrutura de Disaster Recovery, eliminando a necessidade de hardware dedicado. Além dos ganhos de resiliência e eficiência operacional, a solução oferece maior capacidade de escalabilidade, acelera o aprovisionamento de novos ambientes e estabelece uma base tecnológica preparada para acompanhar a expansão internacional e a transformação digital contínua da Mota-Engil.
A A-To-Be, do grupo Brisa, em parceria com a Capgemini Portugal, desenvolveu uma nova abordagem à cobrança de portagens baseada em 5G Standalone e computação de borda, eliminando a necessidade de equipamento físico dedicado instalado na via. A solução transfere o processamento da transação para a rede móvel. O veículo comunica diretamente com a aplicação de cobrança, identifica a entrada numa zona de portagem e processa o pagamento de forma automática, segura e em tempo real. O modelo pode ser aplicado tanto a sistemas de fluxo livre como a percursos com pontos de entrada e saída. Validado em condições reais, o projeto alcançou uma taxa de sucesso de 100% nas transações, tempos médios entre 35 e 44 milissegundos e uma precisão de localização de cerca de 42 centímetros. Além de melhorar a fluidez do tráfego e tornar a experiência mais transparente para o condutor, a solução apresenta um elevado potencial de eficiência. As estimativas apontam para reduções de cerca de 53% no custo por transação e no consumo energético e de 57% nas emissões de CO₂. Ao utilizar redes 5G já existentes, esta arquitetura permite ainda alargar a cobrança a novos locais e modelos de tarifação, com menor investimento em infraestrutura e maior capacidade de escala.
Como se pode utilizar a IA para acelerar a resposta a incidentes de IT, reduzir tarefas manuais e garantir uma operação contínua, independentemente do volume de pedidos? A EDP, em colaboração com a Claranet Portugal, implementou um AI Operator que automatiza a abertura, a classificação e o encaminhamento de tickets no sistema de gestão de serviços de IT. A solução agrega informação proveniente de diferentes fontes e combina IA Generativa, automação e regras de negócio para decidir, em segundos, o tratamento adequado de cada pedido. O impacto traduz-se numa redução da intervenção manual e do tempo médio de resolução de incidentes (MTTR), maior eficiência operacional e capacidade de resposta 24×7, particularmente relevante numa organização onde a disponibilidade dos sistemas críticos é essencial para a continuidade do negócio. Esta transformação não foi apenas tecnológica. A adoção da IA implicou ajustar processos, padronizar workflows e acompanhar as equipas, com formação, validação das decisões da solução e melhoria contínua do seu desempenho. O projeto mostra como a IA pode passar da experimentação para a operação, automatizando processos concretos e de grande escala. Evidencia que para se retirar valor da tecnologia, são determinantes processos bem definidos, o envolvimento das equipas e uma gestão eficaz da mudança.
Como pode um clube conhecer melhor os milhões de interações com os seus adeptos e transformar esse conhecimento numa relação mais próxima, personalizada e relevante? Com esse objetivo, o Futebol Clube do Porto, em parceria com a Deloitte, modernizou a sua plataforma de CRM e Marketing, evoluindo de uma comunicação massificada para um modelo orientado por dados, personalizado e omnicanal. A nova plataforma, baseada em Salesforce Data Cloud e Marketing Cloud, consolida a informação dispersa por diferentes sistemas e cria uma visão integrada de sócios e adeptos. O clube consegue segmentar públicos, personalizar comunicações, automatizar jornadas de relacionamento e utilizar os dados para suportar decisões e campanhas mais relevantes. Esta transformação implicou a revisão da governação dos dados, segmentação, execução e monitorização das campanhas e a colaboração entre diferentes áreas do clube. Com as equipas a passaram a trabalhar num modelo mais data-driven, em que as decisões de marketing assentam num conhecimento mais aprofundado dos adeptos. Este caso mostra conhecer verdadeiramente o cliente, integrar a informação e utilizá-la de forma inteligente pode mudar não apenas a comunicação, mas a própria relação entre uma organização e a sua comunidade.
Como preparar uma plataforma de carregamento elétrico para um mercado que está a crescer, é cada vez mais complexo e exige maior escala? Para dar resposta a este desafio, a Sonae MC, em parceria com a Devoteam, modernizou a arquitetura da sua solução Plug & Charge, redesenhando a forma como os diferentes sistemas do ecossistema comunicam entre si. O objetivo foi criar uma plataforma mais flexível, modular e escalável, capaz de acompanhar a evolução do mercado da mobilidade elétrica. Assim, criou um novo Orquestrador Plug & Charge, suportado por uma arquitetura cloud que permite aos diferentes sistemas comunicar de forma coordenada, responder a picos de carregamento e gerir tarifários dinâmicos. A solução introduziu ainda uma gestão centralizada, através do P&C Controller, que permite à MC Digital auditar a operação, gerir cartões e listas de bloqueio e obter informação operacional a partir de um único ponto. Destaque para o desenho modular e desacoplado da plataforma, que criou condições para reutilizar componentes e desenvolver novos serviços. O próprio projeto já deu origem a uma nova iniciativa: uma aplicação móvel dedicada à gestão de frotas empresariais de veículos elétricos. A utilização de message queues e de uma arquitetura orientada a microserviços e APIs permitiu criar uma plataforma preparada não apenas para responder às necessidades atuais, mas também para evoluir. Com esta aposta, a empresa passou a dispor de uma base para desenvolver novos serviços e oportunidades de negócio na mobilidade elétrica.
E se parte das operações técnicas de uma fábrica pudesse ser executada por agentes de IA, mantendo a validação humana nas decisões críticas? É esse o modelo que a Sonae Arauco está a implementar com a DXC Technology, levando os agentes de inteligência artificial e automação para as operações de IT no edge e nas unidades industriais. Até agora, várias atividades dependiam de pedidos reativos enviados pelas equipas das fábricas para uma equipa central especializada, responsável pela respetiva análise e execução. A nova solução cria um hub central ligado às diferentes plataformas, a partir do qual agentes de IA passam a apoiar a análise e correlação de informação e a executar tarefas previamente validadas, mantendo mecanismos de controlo, monitorização e auditing. O objetivo é dar maior autonomia e agilidade às operações locais, libertando as equipas técnicas de tarefas de menor complexidade para atividades de maior valor acrescentado. Esta mudança implica rever processos e formas de trabalhar, já que a introdução de agentes de IA num ambiente industrial tradicional exige planeamento, comunicação e envolvimento dos utilizadores, das equipas técnicas e da gestão de topo. Estes são fatores que o projeto identifica como determinantes para a adoção. Mais do que automatizar tarefas, este é um exemplo de um novo modelo de colaboração entre pessoas, automação e agentes de IA na operação industrial, onde a tecnologia assume o trabalho operacional de menor complexidade e o controlo humano permanece integrado no processo.
Como garantir comunicações móveis seguras, fiáveis e permanentemente disponíveis, quando estão em causa infraestruturas e serviços críticos? Este foi o desafio da EMACOM, operador de comunicações da Região Autónoma da Madeira. Com a Ericsson e a Vodafone Portugal, implementou uma rede móvel privada 5G Standalone destinada a suportar operações de missão crítica. A solução assenta numa rede de rádio 5G dedicada, estações base instaladas nas infraestruturas da EMACOM e integrada com a rede macro da Vodafone. O Ericsson Private 5G foi implementado on-premises, permitindo à organização dispor de maior controlo sobre a conectividade, segmentar serviços de acordo com os diferentes perfis de utilização e responder de forma mais eficaz a situações de incidente. A rede suporta operações críticas e permitiu reforçar a fiabilidade e disponibilidade das comunicações, melhorar a capacidade de resposta e reduzir os incidentes operacionais associados à conectividade. Implicou ainda mudar processos e preparar as equipas. Formação, acompanhamento no terreno e suporte técnico contínuo foram componentes essenciais da transformação. O projeto mostra o caminho para as organizações que gerem infraestruturas críticas: tecnologia e resiliência operacional têm de ser pensadas em conjunto. Este é um caso concreto de como o 5G privado pode deixar de ser apenas conectividade para se tornar numa infraestrutura operacional crítica, reforçando o controlo, segurança e resiliência em serviços essenciais.
O que muda numa fábrica quando máquinas, sensores, sistemas e equipas passam a comunicar em tempo real através de uma rede 5G privada? É isso que a Ria Stone, empresa do grupo Vista Alegre e fornecedora de grandes clientes internacionais como a IKEA, está a concretizar, em parceria com a MEO. O projeto leva o 5G para o centro da operação industrial, criando uma infraestrutura dedicada, segura e de baixa latência para acelerar a digitalização e a automação da fábrica, dedicada à produção de louça de mesa em grés. A solução abrange quatro linhas de produção e suporta cerca de 100 dispositivos e sensores, integrando robótica industrial, AGVs e sistemas de apoio à produção e ao controlo de qualidade. A meta é clara: aumentar a eficiência, reduzir o desperdício e avançar em direção à rejeição zero. Com informação operacional disponível em tempo real, será ainda possível melhorar a monitorização da produção e dos equipamentos, antecipar desvios e evoluir para áreas como manutenção preditiva, supervisão remota e gestão centralizada de ativos. Mais do que conectar uma fábrica, o projeto está a criar a infraestrutura para uma operação industrial cada vez mais automatizada e orientada por dados. É um exemplo do papel do 5G como um enabler da Indústria 4.0, permitindo testar, em ambiente produtivo real, novos modelos de automação, controlo e decisão baseados em dados.
A NOS desenvolveu uma aplicação de IA generativa para apoiar a sua força comercial B2B, reunindo num único ponto informação interna e externa sobre clientes, prospects, produtos e oportunidades de negócio. O Sales Assistant B2B integra dados provenientes de diferentes fontes e disponibiliza-os através de uma interface conversacional e de uma visão estruturada da carteira comercial. A solução inclui ainda funcionalidades prescritivas que ajudam os consultores a priorizar empresas, gerar resumos personalizados e identificar as ações comerciais mais adequadas para cada cliente. Disponível para toda a força comercial B2B da NOS, composta por cerca de 80 consultores, a aplicação regista mensalmente entre 4.000 e 5.000 interações, refletindo um nível significativo de adoção. Os resultados mostram um aumento de 2% a 3% nas vendas face ao grupo de controlo e uma melhoria de cerca de 20% na geração de reuniões e apresentação de propostas, libertando os consultores de tarefas operacionais e permitindo-lhes dedicar mais tempo à relação com o cliente e à preparação comercial. O projeto combinou IA generativa, engenharia de dados e design de experiência, acompanhado por uma abordagem estruturada de gestão da mudança, que foi determinante para a adoção da solução.
E se um festival pudesse funcionar como laboratório para testar soluções destinadas às cidades? O Smart City of Rock, uma iniciativa criada pela Liquid Innovation em parceria com o Rock in Rio, transformou a Cidade do Rock numa montra de tecnologias smart e num espaço de experimentação em contexto real. O projeto mobilizou empresas tecnológicas, startups, universidades, a cidade de Lisboa e o ecossistema europeu de inovação para desenvolver experiências e testar novas soluções, incluindo a utilização de digital twins. No EVOLVE, será mostrado como é que este ecossistema foi construído, desde a mobilização dos diferentes parceiros e seleção de startups até à experimentação das soluções no terreno, bem como os resultados e aprendizagens alcançados. A ambição do projeto vai além do festival. O objetivo é fazer evoluir o Smart City of Rock para uma plataforma colaborativa B2B e B2G, capaz de aproximar empresas e cidades, acelerar a adoção de tecnologia e desenvolver soluções com impacto na vida das pessoas. Vão ser partilhados os resultados, aprendizagens e o legado do projeto, assim como a forma como as soluções e relações criadas e a própria plataforma tech da Cidade do Rock podem continuar a evoluir e a gerar valor para a cidade e para os parceiros envolvidos.
Sabe o que muda numa empresa de transportes quando uma operação baseada em papel passa a estar integrada num único ecossistema digital? Foi esta transformação que a Atlantic/Rodocargo concretizou com a Vodafone Portugal, digitalizando processos operacionais que anteriormente dependiam de documentação em papel e integrando-os com os sistemas da empresa, os veículos e a gestão de frota. A solução assenta no ReadyCheckGo e permite ligar os diferentes componentes da operação, incluindo stocks, faturação e informação proveniente dos próprios veículos, como dados do CAN bus. O resultado é uma operação com maior eficiência e controlo, suportada por informação integrada e disponível digitalmente. Esta foi uma mudança que foi muito além da tecnologia. É que passar de processos assentes em papel para uma operação digital implicou redesenhar formas de trabalhar e promover uma mudança cultural, o que exigiu acompanhamento das equipas ao longo da implementação. Comprova que digitalizar não significa simplesmente substituir papel por ecrãs, mas sim repensar processos, integrar dados e sistemas e criar novas formas de gerir uma operação de transportes. E exemplifica como é que a transformação digital pode chegar ao terreno e tornar uma atividade tradicional mais integrada, eficiente e preparada para evoluir.
E se a inteligência artificial fosse além da resposta a perguntas e participasse diretamente na operação de uma empresa? É esta a proposta da ENGIBOTS, que desenvolveu uma plataforma onde modelos de linguagem, RPAs inteligentes e agentes de IA trabalham em conjunto para automatizar processos empresariais. A solução introduz uma componente essencial de controlo: cada decisão automática recebe um grau de confiança e, sempre que esse nível não é suficiente, a decisão é encaminhada para uma pessoa. No Start-up Showcase, vai mostrar esta abordagem através de um caso real: os pedidos de orçamento e encomendas recebidos por email são interpretados pela plataforma, que gera os orçamentos e regista as encomendas diretamente no ERP. Este é um exemplo de como a IA pode evoluir de ferramenta de apoio para parte integrante dos processos empresariais, combinando automação e intervenção humana nos momentos em que esta acrescenta valor.
Como pode um país ou uma cidade competir pelo investimento se continua a tomar decisões com informação fragmentada e dados que mostram sobretudo o que já aconteceu? A Delta Y está a desenvolver uma plataforma de inteligência socioeconómica, para dar a governos e entidades públicas uma visão integrada e atualizada dos seus territórios, apoiando decisões sobre desenvolvimento económico e atração de investimento. Em vez de depender apenas de relatórios e informação dispersa, a solução reúne numa fonte única de informação indicadores como fluxos de capital, criação de empresas e atividade em infraestruturas, permitindo acompanhar a evolução do território e identificar mudanças em tempo útil. A abordagem combina tecnologia com transformação organizacional. A equipa trabalha diretamente com cada instituição para resolver primeiro um problema concreto e, a partir daí, reorganizar os dados e os processos que o suportam, procurando deixar capacidade instalada na própria organização. A Delta Y quer colocar nas mãos dos decisores públicos uma capacidade de análise mais próxima daquela que as empresas já utilizam para gerir os seus negócios.