EVOLVE – Digital Transformation Summit 2026
“Mais do que os números, há uma história que o EVOLVE tem vindo a contar. Que a própria conversa sobre a transformação digital tem mudado nos últimos anos.”
“A pergunta, nos casos de transformação digital, é hoje o que está efetivamente a funcionar, a ganhar escala e a criar valor. O EVOLVE é um espaço de aprendizagem a partir de casos concretos.”
“Estarmos no Porto traz uma opção muito clara da APDC. Estamos baseados em Lisboa, mas queremos fazer deste debate um debate verdadeiramente nacional, próximo dos ecossistemas de inovação do país. O EVOLVE existe para transformar as experiências concretas de uns em inspiração para outros. Como é que passamos do hype ao impacto.”
“Nunca tivemos tantos casos e nunca foram tão interessantes como hoje. A IA é uma tecnologia que está a mudar as coisas muito rapidamente e convém perceber para onde é que vamos. No caso da Web, criou-se uma vantagem enorme para alguns, como as big tech e não deu muito espaço para outras. E só a um dos lados do Atlântico. Não houve visão. Temos de a ter agora com a IA.”
“Quando olhamos para as tecnologias e vemos as vantagens que nos dão para a transformação, convém antes de se começar o processo de mudança perceber para onde vamos. Na IA temos de ter visão. Não podemos andar distraídos. Vamos pensar como é que uma transformação digital nos pode ser favorável. O que começa pela forma como organizamos o trabalho. Depois, será que a tecnologia vai reduzir os custos de transação. E, por fim, o conhecimento. Na verdade, o que a IA está a fazer é alterar a forma como aprendemos, como fazemos as coisas. São estes três níveis que temos de pensar.”
“Como podemos pensar como as tecnologias nos podem ajudar? A melhor maneira de aprender é na prática. Sem prática não chegamos lá. É essa a ideia do EVOLVE. Vemos as tecnologias aparecer, como a IA e a web 3, que é muito mal compreendida. Estas são as duas tecnologias que nos próximos anos vão fazer a diferença para as empresas. No caso da IA, é uma espécie de folha de cálculo para a informação que não está estruturada, que é a que tem mais valor. O conhecimento explícito não traz vantagem competitiva, porque é facilmente copiável. Só o conhecimento tácito é que não é.”
Gerir centenas de técnicos no terreno, decidir quem deve realizar cada intervenção e garantir uma resposta rápida ao cliente exige cada vez mais automação, dados e capacidade de decisão em tempo real. Foi com esse objetivo que a NOS, em colaboração com a Accenture, transformou as suas operações de Field Service, substituindo a plataforma legacy por uma solução cloud baseada em Salesforce Field Service. O projeto digitalizou todo o ciclo das intervenções no terreno, desde o planeamento e agendamento até ao despacho e execução. A nova plataforma permite alocar recursos de acordo com as competências, disponibilidade e localização, automatizar processos, disponibilizar ferramentas móveis aos técnicos e acompanhar a operação em tempo real. Abrange cerca de 700 técnicos e permitiu migrar 100% das operações de campo para a nova plataforma, com ganhos de eficiência no planeamento, redução de deslocações desnecessárias, maior produtividade e intervenções mais rápidas e previsíveis para os clientes. Mais do que uma substituição tecnológica, o projeto implicou rever processos e formas de trabalhar, num verdadeiro programa de gestão da mudança. Mostra como cloud, automação e dados em tempo real podem transformar uma operação de grande escala, criando uma base preparada para incorporar novas capacidades digitais.
“Nesta transformação digital, tivemos o desafio de mudar a aplicação, mas sem reinventar tudo. Todos os automatismos e a lógica manteve-se, mas melhorámos tudo o que tem a ver com as integrações e as aplicações no mobile.”
“O projeto teve uma abordagem relativamente diferente, de stand alone, com montagem da aplicação, seguida de todo o desenho da aplicação. Isso permitiu uma experimentação e refinamento de requisitos. Hoje temos um número relevante de técnicos a utilizar a app.”
“A IA vai amplificar o que já está feito e é o momento certo para a introduzir. Separámos a IA em dois blocos. Na implementação da app, utilizámos os processos de IA disponíveis para o desenvolvimento. E a nova plataforma vai permitir trazer novas funcionalidades. O ‘ambiente vanilla’ é uma ferramenta de decisão e não uma fase técnica, para trazer os benefícios da aplicação e tomar decisões com os utilizadores já a usá-la.”
– Sérgio Gaio – Managing Director CMT (communication, media and technology), Accenture
“Em 2018 fizemos o caminho para uma plataforma mais moderna, que veio mudar radicalmente todos os processos internos e a relação com os service providers, com uma visão global de tudo o que estava a acontecer no terreno. Foi uma implementação morosa e penosa, para termos uma visão centralizada e automatizada da operação. Quase na reta final, a aplicação foi descontinuada, o que obrigou a selecionar uma nova solução. Que acabou por ser uma nova plataforma da Salesforce.”
“Estamos em pleno rollout desta aplicação, que deverá estar concluída nas próximas semanas. Temos cerca de mil técnicos a funcionar em cima da plataforma e cerca de um milhão de ordens de trabalho de todas as tecnologias possíveis. Quisemos criar não uma disrupção profunda na operação – fomos obrigados a fazer esta mudança, mas uma evolução tecnológica, aproveitando as novas features que a nova solução permite.”
“O processo está a decorrer sem interrupções, com o envolvimento inevitável do negócio, que tem de estar presente em tudo o que são decisões. São projetos de transformação onde a tecnologia é um enabler, um meio para chegar e não um fim. O envolvimento das pessoas é fundamental. Tivemos o negócio e a operação connosco desde o princípio.”
– Luis Beato – Head of IT Digital Delivery Lean, NOS SGPS
Como transformar grandes volumes de dados, vindos de diferentes tecnologias, serviços, operadores e fontes, em conhecimento capaz de apoiar uma regulação mais informada e uma tomada de decisão mais rápida? Para responder a esse desafio, a ANACOM desenvolveu um ecossistema integrado de inteligência regulatória. Articula duas plataformas interoperáveis: a STAT.ANACOM, dedicada à informação estatística dos mercados, e a GEO.ANACOM, que acrescenta a dimensão geográfica. Em conjunto, permitem analisar a mesma realidade a diferentes escalas, desde as tendências nacionais e regionais até uma localização específica. A solução combina cloud analytics, Business Intelligence, GIS, análise geoespacial, automatização e low-code, permitindo recolher, validar, relacionar e transformar dados em indicadores, mapas, dashboards, relatórios e dados abertos. A informação torna-se assim reutilizável e acessível para apoiar a regulação e supervisão do mercado, mas também os cidadãos, empresas, operadores e entidades públicas. Os números mostram a escala de utilização: entre janeiro e julho, o Portal Público da GEO.ANACOM teve mais de 324 mil visitas, o SIIA mais de 25 mil acessos, provenientes de cerca de 480 entidades públicas e privadas, e a STAT.ANACOM cerca de 9 mil utilizadores. E esta capacidade de cruzar informação estatística e territorial já mostrou o seu valor em situações críticas. Após a tempestade Kristin, os dados territoriais atualizados diariamente permitiram disponibilizar a entidades governamentais, proteção civil e municípios uma visão global e local das áreas afetadas, apoiando as ações de recuperação e uma supervisão direcionada. Este caso mostra como integrar dados, tecnologia e diferentes níveis de análise para transformar com sucesso informação dispersa em inteligência para decidir e agir melhor.
“Criámos um ecossistema integrado de inteligência regulatória para dar resposta à necessidade dos nossos stakeholders. Tentando passar o máximo de informação. O desafio foi transformar a capacidade digital em mais conhecimento, inovação, produtividade e valor. Tínhamos muita informação, dispersa e sem regras comuns.”
“O que fizemos foi perceber quais eram os dois grandes blocos e tipos de dados que tínhamos. Um tinha a ver com a componente espacial, com informação georreferenciada, e outro com a dimensão estatística, de informação mais agregada. Depois, construímos duas grandes plataformas, com capacidade para crescer em informação e funcionalidades, que comunicam entre si: Geo.Anacom e Stat.Anacom. Depois, apostámos uma grande digitalização de processos internamente.”
“As duas plataformas são interoperáveis. O resultado foi mais integração, mais estrutura, mais partilha de informação e mais clareza e simplificação para quem utiliza o ecossistema e para a própria ANACOM. Transformamos dados em conhecimento, para permitir decisões mais informadas. E para que possamos ser uma Califórnia ao nível europeu. Agora, estamos a começar a pensar em implementar IA no sistema. Será o nosso próximo passo.”
– Filipa Silva – Coordenadora, Direção Geral de Informação e Inovação, ANACOM
A Mota-Engil, em parceria com a AWS, está a modernizar a sua infraestrutura tecnológica através da migração dos seus sistemas SAP para a cloud, reforçando a resiliência das operações e criando uma plataforma preparada para suportar o crescimento internacional do grupo. O projeto incluiu a migração dos ambientes SAP (ERP e BW) para a AWS, a implementação de uma solução automatizada de Disaster Recovery e a criação de uma Landing Zone segura e governada, preparada para acolher a modernização progressiva de outras aplicações empresariais. A nova arquitetura reduziu o tempo de recuperação de sistemas críticos de horas para minutos, assegurando uma maior continuidade do negócio, e permitiu uma redução estimada entre 20% e 30% nos custos da infraestrutura de Disaster Recovery, eliminando a necessidade de hardware dedicado. Além dos ganhos de resiliência e eficiência operacional, a solução oferece maior capacidade de escalabilidade, acelera o aprovisionamento de novos ambientes e estabelece uma base tecnológica preparada para acompanhar a expansão internacional e a transformação digital contínua da Mota-Engil.
“O conceito de dívida técnica está presente em todas as organizações. Passamos muito tempo a gerir aplicações, criando um conceito de inércia que não nos permite responder à velocidade que as aplicações hoje nos exigem. Temos de adotar novas capacidades transformadoras. Esta jornada de transformação da Mota-Engil passa por uma adoção da resiliência, que é comum em muitas jornadas de transformação. É importante porque permite criar valor real e conhecimento. Aprender ou reaprender como é que os novos sistemas em cloud funcionam.”
“A forma como gerimos infraestrutura nestes mundos novos da cloud tem de obedecer a uma reaprendizagem das nossas equipas O que permite criar uma rede de segurança e estabelecer resiliência para começar os próximos passos. Ganhamos capacidade crítica para tomarmos novas decisões. Com a IA, hoje a modernização ajuda a reduzir drasticamente a curva de esforço inerente a qualquer projeto de migração. ”
É aqui que temos a oportunidade de nos libertarmos e termos tecnologia mais adequada aos requisitos.”
“A IA será o próximo capítulo de transformação da Mota-Engil. Trazer a capacidade agêntica da AWS para o grupo, ajudando a que cada uma das fases possa ter uma probabilidade de sucesso maior.”
– Marco Dias – Senior Solutions Architect, Amazon Web Services (AWS)
“O grupo Mota-Engil é muito mais do que construção e engenharia. Tem muitas áreas de atuação, das quais vêm muitos desafios. Estamos em 25 países e através da Mota-Engil Global, em Portugal, prestamos serviços para todas as unidades. As nossas soluções estavam a funcionar, mas o motivo da mudança foi querer mais sustentabilidade das soluções e com capacidade de crescer mais simples e ficar mais próximos dos nossos parceiros tecnológicos, para nos entregarem mais tecnologia.”
“Estamos a trabalhar há três anos num cenário de transformação, passando o core para a cloud. Queríamos uma solução que nos permitisse acrescentar algo ao que já tínhamos. Para simplificar a infraestrutura e a forma de trabalhar, crescer e ter acesso a benefícios e outras capacidades. Temos um desafio muito grande, que é o das equipas. Mudar a forma de trabalhar é um processo demorado. É um esforço garantir que as equipas estão formadas e preparadas para estes ecossistemas diferentes. É um desafio que demorou mais tempo do que o esperava.”
“Escolhemos ainda a AWS para correr o nosso core em SAP RISE. Somos um dos maiores clientes SAP ao nível de geografias, mas para podermos beneficiar todos os serviços disponibilizados no seu catálogo, uma das formas mais fáceis eram os canais da AWS. É a nossa plataforma de infraestrutura, em cima da qual colocamos SAP. Queremos sempre escolher uma empresa que nos dê o menor risco possível, garantindo um parceiro e não um fornecedor. E depois, garantir toda a componente de segurança. É que o que nos permite estar mais perto da inovação”
– Antonio Roque – Head of IT, Mota-Engil
Imagine uma viagem em que o veículo está permanentemente conectado a uma infraestrutura capaz de comunicar em tempo real, tornando a mobilidade mais fluida, eficiente e praticamente invisível para quem conduz. É esta visão que a A-To-Be, do grupo Brisa, em parceria com a Capgemini Portugal, está a explorar através da combinação de 5G Standalone, localização de alta precisão e processamento em tempo real. A solução transfere o processamento da transação para a rede móvel, eliminando a necessidade de equipamento dedicado na via. O veículo comunica diretamente com a aplicação de cobrança, identifica a entrada numa zona de portagem e processa o pagamento de forma automática e segura. Validado em condições reais, o projeto alcançou 100% de sucesso nas transações, tempos médios entre 35 e 44 milissegundos e uma precisão de localização de cerca de 42 centímetros, com reduções significativas no custo por transação, consumo energético e emissões de CO₂. Mais do que repensar as portagens, esta arquitetura abre caminho a novos modelos de cobrança e serviços de mobilidade, aproveitando as redes 5G e reduzindo a infraestrutura dedicada na estrada. No EVOLVE, o caso mostrará como conectividade, localização e processamento em tempo real podem tornar a infraestrutura mais inteligente e a tecnologia menos visível durante a viagem.
“A parte da tecnologia é muito empolgante. Sabemos o que é o seu potencial e o que podemos trazer. Mas não podemos confundir mobilidade autónoma com carros autónomos. Temos de construir um ecossistema diferente, disruptivo. Com uma infraestrutura física com avisos nas estradas para ter uma plataforma digital, que envia informação entre estradas e veículos.”
“Cada vez mais, o carro pode tomar ações com a informação que recebe, para prevenir acidentes e melhorar a mobilidade. E não dependem da decisão humana, podendo chegar a decisões independentes, para evitar acidentes, por exemplo. Dependemos de um ecossistema, que inclui o operador da estrada e o operador de comunicações.”
“Temos tudo o que precisamos em termos de tecnologia, que é cada vez mais invisível. Agora, o que precisamos é de redes mais inteligentes e de centralizar a inteligência. Porque tudo depende da velocidade da conetividade. É um projeto que o Route 25 envolve, porque se pensou em todo um ecossistema de mobilidade urbana. Mas é preciso de tempo e maturação, assim como de novos serviços.”
– Adriano Goes, Ph.D. – Head of R&D, Capgemini Engineering
“Estamos a dar um pequeno primeiro passo. Porque vem muito mais além disto. Já temos autoestradas inteligentes há mais de 20 anos, o que permitiu ter salas de operações em que se está a acompanhar pormenorizadamente situações que estão a acontecer ao longo do país. A tecnologia ajudou, mas estamos a trabalhar com o ser humano e à sua velocidade.”
“Precisamos que a IA comece a resolver os problemas. Temos de juntar o mundo da estrada inteligente e dos veículos inteligentes. A seguir, vamos conseguir começar a dar passos muito maiores, revolucionando a segurança rodoviária. As utilizações serão as que vamos valorizar mais nas estradas.”
“A tecnologia que temos hoje com o Route 25 trouxe a condução autónoma para um patamar muito acima. A segurança rodoviária é o aspeto fundamental, mas há outras utilizações no dia-a-dia. Terá de haver uma mudança no paradigma da mobilidade, que já está a acontecer noutros países. Já não dependemos da tecnologia, que existe. Nunca tivemos tantos carros inteligentes na estrada. O passo que é preciso agora é o organizacional.”
– Tiago Dias – Innovation Manager, A-to-Be/Brisa
Como se pode utilizar a IA para acelerar a resposta a incidentes de IT, reduzir tarefas manuais e garantir uma operação contínua, independentemente do volume de pedidos? A EDP, em colaboração com a Claranet Portugal, implementou um AI Operator que automatiza a abertura, a classificação e o encaminhamento de tickets no sistema de gestão de serviços de IT. A solução agrega informação proveniente de diferentes fontes e combina IA Generativa, automação e regras de negócio para decidir, em segundos, o tratamento adequado de cada pedido. O impacto traduz-se numa redução da intervenção manual e do tempo médio de resolução de incidentes (MTTR), maior eficiência operacional e capacidade de resposta 24×7, particularmente relevante numa organização onde a disponibilidade dos sistemas críticos é essencial para a continuidade do negócio. Esta transformação não foi apenas tecnológica. A adoção da IA implicou ajustar processos, padronizar workflows e acompanhar as equipas, com formação, validação das decisões da solução e melhoria contínua do seu desempenho. O projeto mostra como a IA pode passar da experimentação para a operação, automatizando processos concretos e de grande escala. Evidencia que para se retirar valor da tecnologia, são determinantes processos bem definidos, o envolvimento das equipas e uma gestão eficaz da mudança.
“Isto é uma colaboração já de longa data. Houve uma vontade e visão de transformar e, com a nossa capacidade de endereçar, o que fizemos foi investir muito tempo para ver como é a solução que funcionava, antes de avançar para a execução. Todas as empresas estão a querer fazer esta transformação, mas querem sempre medir o seu impacto. Tratamos não só a parte técnica, como a parte de negócio.”
“Os agentes são completamente inevitáveis porque criam um efeito de escala. E servem ainda como defesa perante ataques externos, endereçando um tema essencial como é o da cibersegurança. Criam-se automações muito relevantes.”
“Houve uma disrupção tecnológica onde, infelizmente, a Europa perdeu a corrida. O que espero é que se vamos colocar uma tecnologia destas no coração das nossas empresas que o façamos de uma forma controlada. Não podemos colocar isto nas mãos de outros que podem interferir no nosso negócio e na nossa empresa.”
– Hélder Pinheiro – Data & AI Senior Director, Claranet Portugal
“Construímos um modelo, um agente, que nos ajudou a lidar com toda a escala que tínhamos num grupo energético global como é a EDP. Com um negócio de enorme complexidade, presente em quatro regiões mundiais e presença em 29 países. O que se traduz numa enorme complexidade das operações de IT que temos de gerir. Temos uma operação com um único modelo de controlo. O desafio não é a escala, mas como garantir um modelo operacional único, com redução de risco.”
“Temos um volume constante e consistente de informação que precisa de ser analisada e verificada. Cada uma das ocorrências precisa de análise de forma consistente e permanente, que o olhar humano já não consegue acompanhar. Desta necessidade nasceu o IA Operator, um agente que relaciona em tempo real todos os eventos. Com a capacidade de perceber o que é relevante e encaminhar para um operador os que o forem. Criou agilidade, com esta capacidade de gerir um grande volume de informação, correlacioná-la e direcionar o que considerar relevante. Passámos de sete minutos para oito segundos, em operação contínua”.”
“Este AI Operator está inserido numa visão que temos de IA nas operações. Temos outros agentes, cada um especializado no seu ramo, que nos ajuda, já que todos se interligam. Permitindo aos operadores concentrarem-se no que é realmente relevante e crítico. Agora, estamos a proceder à evolução do agente de IA, com o desenvolvimento de uma segunda versão, onde será capaz de endereçar o problema antes deste ser efetivamente um problema.”
– Nuno Lopes – IT Operations Senior Manager, EDP
Como pode um clube conhecer melhor os milhões de interações com os seus adeptos e transformar esse conhecimento numa relação mais próxima, personalizada e relevante? Com esse objetivo, o Futebol Clube do Porto, em parceria com a Deloitte, modernizou a sua plataforma de CRM e Marketing, evoluindo de uma comunicação massificada para um modelo orientado por dados, personalizado e omnicanal. A nova plataforma, baseada em Salesforce Data Cloud e Marketing Cloud, consolida a informação dispersa por diferentes sistemas e cria uma visão integrada de sócios e adeptos. O clube consegue segmentar públicos, personalizar comunicações, automatizar jornadas de relacionamento e utilizar os dados para suportar decisões e campanhas mais relevantes. Esta transformação implicou a revisão da governação dos dados, segmentação, execução e monitorização das campanhas e a colaboração entre diferentes áreas do clube. Com as equipas a passaram a trabalhar num modelo mais data-driven, em que as decisões de marketing assentam num conhecimento mais aprofundado dos adeptos. Este caso mostra conhecer verdadeiramente o cliente, integrar a informação e utilizá-la de forma inteligente pode mudar não apenas a comunicação, mas a própria relação entre uma organização e a sua comunidade.
“A Deloitte entra com o FCP quando este tem clara a sua ambição de fazer esta transformação. As orientações estratégicas estavam claras, mas muito antes de definir a tecnologia tivemos de definir as fundações. Porque isto não é uma transformação a um, dois ou três anos, mas ao longo do tempo. Para permitir um crescimento sustentável. Entramos como parceiros nesta jornada.”
“Antes de pensarmos nas jornadas e na tecnologia, precisamos de perceber o que faz sentido, quais os dados disponíveis e o que se quer alcançar e proporcionar de experiências. Foi esta a fase de fundações, definindo-se sete jornadas que faziam sentido de 43 no total. Houve muita discussão ao nível da organização.”
“Havia jornadas claramente definidas para os sócios e adeptos. E para fazer isso é preciso ter tudo in place. O que é crítico é saber onde estão os dados, estruturá-los e organizá-los para serem acionáveis. O caminho está a ser feito de uma forma muito solidificada. Depois, trata-se da tecnologia e de como tem de estar no FCP. Com a parte das integrações e de uma automatização o mais abrangente possível. Tivemos de montar as próprias jornadas, de forma escalável e sustentável para o clube.”
– Filipa Beleza – Customer Transformation Senior Manager, Deloitte
“É uma transformação muito grande a que estamos a viver neste momento. Temos capacidades acrescidas a um ritmo alucinante de processamento de dados. Temos um processo de transformação que assenta na frente desportiva, que é a capacidade core, assim como a frente de negócio e depois a frente corporativa. Nestas dimensões temos vindo a implementar o roadmap de transformação ambicioso.”
“A grande mudança corporativa é que a transformação deixa de ser um projeto com um horizonte limitado. Passa a ser uma espécie de atitude da própria organização, de longo prazo, num processo permanente que é necessário configurar e manter. Tudo tem de ser gerido de forma integrada, como o ciclo de vida de umadepto. Uma visão estruturada assente em toda a dimensão associativa é a nossa base de trabalho.”
“Iniciámos um ciclo muito ambicioso de um processo de quatro anos, muito diversificado. Neste primeiro ciclo de transformação, ainda vamos a meio. Perante a dinâmica de transformação do próprio contexto, é um processo complexo e completo, que vai muito além da tecnologia e assenta em dinâmicas das pessoas e em dinâmicas estratégicas e de governança. É uma transformação longa.”
– Pedro Bragança – Head of Transformation, Futebol Clube do Porto
Como preparar uma plataforma de carregamento elétrico para um mercado que está a crescer, é cada vez mais complexo e exige maior escala? Para dar resposta a este desafio, a Sonae MC, em parceria com a Devoteam, modernizou a arquitetura da sua solução Plug & Charge, redesenhando a forma como os diferentes sistemas do ecossistema comunicam entre si. O objetivo foi criar uma plataforma mais flexível, modular e escalável, capaz de acompanhar a evolução do mercado da mobilidade elétrica. Assim, criou um novo Orquestrador Plug & Charge, suportado por uma arquitetura cloud que permite aos diferentes sistemas comunicar de forma coordenada, responder a picos de carregamento e gerir tarifários dinâmicos. A solução introduziu ainda uma gestão centralizada, através do P&C Controller, que permite à MC Digital auditar a operação, gerir cartões e listas de bloqueio e obter informação operacional a partir de um único ponto. Destaque para o desenho modular e desacoplado da plataforma, que criou condições para reutilizar componentes e desenvolver novos serviços. O próprio projeto já deu origem a uma nova iniciativa: uma aplicação móvel dedicada à gestão de frotas empresariais de veículos elétricos. A utilização de message queues e de uma arquitetura orientada a microserviços e APIs permitiu criar uma plataforma preparada não apenas para responder às necessidades atuais, mas também para evoluir. Com esta aposta, a empresa passou a dispor de uma base para desenvolver novos serviços e oportunidades de negócio na mobilidade elétrica.
“Estamos a falar de uma solução tecnológica que potencie o negócio, olhámos para a tecnologia como um catalisador. O que acabámos por desenhar foi uma plataforma assente em acelerar o negócio, com um verdadeiro ecossistema. Com o seu redesenho, automação e escalabilidade e gestão centralizada e organizada.”
“A solução tem de ser escalável e resiliente, e dar condições ao negócio para trabalhar e acrescentar valor. Não é apenas uma questão tecnológica, há muita estratégia e desenho prévio, tanto de tecnologia, técnico e de arquitetura que tem de ser assegurado. Estamos focados em criar valor, de forma intuitiva. Para tornar o ecossistema real e ultrapassar os desafios.”
“Tivemos de pensar como a arquitetura resolvia as dificuldades de negócio atual e estava preparada para o futuro. Com uma solução que se consegue escalar e replicar. O papel da IA foi estratégico, passando-se de uma abordagem tradicional para a produtividade aumentada. Tornámos robusta e capaz toda uma resposta rápida e sem falhas. Com reajustamentos às dificuldades que vão surgindo a cada momento. ”
– Bruno Amaral – Executive Director and Global Creative Tech VP, Devoteam
“Desde 2020 temos o serviço de mobilidade elétrica aos clientes e ganhou uma escala nacional nas nossas 250 lojas. Hoje já nos posicionamos no top 10 da rede nacional dos pontos de carregamento. Prestando o serviço no sítio certo, quando as pessoas vão fazer as suas compras. Passa a ser um tempo útil. Carregar o carro enquanto carrega o carrinho.”
“O serviço inicial que disponibilizámos rapidamente nos limitou e precisámos de ter uma resposta adequada aos diferentes perfis de clientes, do B2C e do B2B. Criámos uma plataforma única, com duas apps que oferecemos aos nossos clientes. E vamos lançar uma nova app, para entrar no mercado e oferecer o serviço para empresas que tenham frotas elétricas. Com uma transição que garanta que não deixamos ninguém para trás. Foi possível porque olhámos para o problema que tínhamos por resolver e percebemos como lhe dar resposta.”
“Cada vez mais queremos garantir ao cliente que disponibilizamos um serviço que ele necessita. Criando uma fidelização cada vez maior e olhando para todas as oportunidades de mercado, nos vários segmentos de clientes. Olhando para a forma como as pessoas usam a tecnologia, vamos otimizando e alterando o serviço da forma mais adequada.”
– Manuela Oliveira – Head of Retail Tech, MC Sonae
Quando ocorre uma falha num parque eólico ou solar, encontrar rapidamente a solução certa é crítico para o negócio, pois cada minuto de inatividade representa perda de produção e custos adicionais. Só que a informação para resolver o problema pode estar dispersa por manuais técnicos e por milhares de ordens de trabalho acumuladas ao longo dos anos. A resposta? Desenvolver um assistente de IA Generativa para apoiar as equipas de operação e manutenção dos ativos de produção de energia. Foi isso que fez a EDP Renováveis, com a DXC Technology. Perante uma falha, a solução analisa em poucos segundos os manuais técnicos e o histórico das intervenções já realizadas e apresenta três caminhos possíveis: a solução recomendada pelo fabricante, quando existe; a solução considerada mais fiável, com base no histórico de intervenções; e a solução mais rápida de implementar. O objetivo é ajudar as equipas a chegar mais depressa à informação relevante, acelerar a resolução de incidentes e reduzir os tempos de paragem e as perdas de produção. Acresce que o conhecimento técnico acumulado ao longo de anos deixa de estar disperso ou dependente de pessoas específicas e passa a poder ser utilizado por equipas em diferentes geografias. A implementação do projeto implicou alterações de processos e uma mudança de cultura, envolvendo as equipas das suas empresas. A solução recorre a Microsoft Copilot, Microsoft Azure Data Factory e modelos de linguagem de grande dimensão da OpenAI.
“Um dos grandes desafios do mundo do trabalho é conservarmos o conhecimento. Um avanço tecnológico como a IA permite que todos tenham acesso ao mesmo conhecimento, que está disponível de uma forma estruturável e democrática para toda a organização.”
“A base de conhecimento que foi reunida é de manuais técnicos e ordens de trabalho que estão fechadas. Porque os problemas vão-se repetindo ao longo dos tempos. Há ainda documentos de boas práticas, tudo vai permitir que, num instante, que toda a informação seja disponibilizada de forma concisa e prática, de acordo com o que o técnico precisa.”
“Podemos ouvir desafios, olhar para a tecnologia, sugerir processos e ganhar experiência com o que estamos a fazer noutros países. Neste mundo da IA, os casos de uso podem sair dos laboratórios e ajudar pessoas e organizações. Permitem maior eficiência, fiabilidade e soluções cada vez mais escaláveis.”
– Nuno Moura Pinheiro – Head of Data & AI, DXC Technology
“O projeto é um exemplo dos múltiplos use cases e agentes que estamos a criar no grupo EDP. Na Renováveis, gostamos de pensar o nosso core business comum como uma multiplicidade de fábricas de produção de energia. O O&MCopilot não é mais que um agente de IA que queremos utilizar para responder a tudo ao que os técnicos de campo questionarem. Ainda não é isso que faz, mas lá chegaremos. É um copiloto que ajuda os milhares de técnicos que todos os dias gerem a operação, seja para reduzir falhas, seja para melhorar o funcionamento.”
“A nossa visão para a ferramenta é de uma porta de entrada única, em que os técnicos onde quer que estejam em todo o mundo, que se afirme como um copiloto. Uma plataforma de IA generativa unificada, mas diversificada, com todas as marcas e modelos do grupo. Com uma arquitetura escalável para poder constantemente acrescentar os novos parques e geografias do grupo. Queremos criar um super AI Agent que responda tanto a temas simples como complexos.”
“O projeto tem o desafio da estruturação da informação de base. O histórico dos sistemas de gestão e manutenção e de retirar informação acionável e os manuais técnicos dos equipamentos. Cada minuto conta para resolver um problema, além da preservação do conhecimento nas equipas, que mudam facilmente.”
– Tiago Marques – Senior Director of Digital & Data, EDP Renováveis
Como garantir comunicações móveis seguras, fiáveis e permanentemente disponíveis, quando estão em causa infraestruturas e serviços críticos? Este foi o desafio da EMACOM, operador de comunicações da Região Autónoma da Madeira. Com a Ericsson e a Vodafone Portugal, implementou uma rede móvel privada 5G Standalone destinada a suportar operações de missão crítica. A solução assenta numa rede de rádio 5G dedicada, estações base instaladas nas infraestruturas da EMACOM e integrada com a rede macro da Vodafone. O Ericsson Private 5G foi implementado on-premises, permitindo à organização dispor de maior controlo sobre a conectividade, segmentar serviços de acordo com os diferentes perfis de utilização e responder de forma mais eficaz a situações de incidente. A rede suporta operações críticas e permitiu reforçar a fiabilidade e disponibilidade das comunicações, melhorar a capacidade de resposta e reduzir os incidentes operacionais associados à conectividade. Implicou ainda mudar processos e preparar as equipas. Formação, acompanhamento no terreno e suporte técnico contínuo foram componentes essenciais da transformação. O projeto mostra o caminho para as organizações que gerem infraestruturas críticas: tecnologia e resiliência operacional têm de ser pensadas em conjunto. Este é um caso concreto de como o 5G privado pode deixar de ser apenas conectividade para se tornar numa infraestrutura operacional crítica, reforçando o controlo, segurança e resiliência em serviços essenciais.
“A tecnologia é só uma alavanca para a transformação digital. A diferenciação de uma rede privada, que acede à mesma tecnologia das redes públicas, é uma área contida e um âmbito controlado em termos de máquinas e utilizadores. Permite garantir uma velocidade e latência para suportar comunicações críticas.”
“Esta é a aliança certa e sem ela as coisas não avançariam. A EMACOM traz as suas necessidades, a Vodafone o seu conhecimento de outros casos e a Ericsson o know-how de outros mercados. Hoje, um tema relevante é a cibersegurança. A rede não pode mesmo falhar.”
– Gema Brea – Account Director, Ericsson Portugal
“Este foi um projeto complexo de engenharia. De informática, técnica e de construir torres. Tudo o que é necessário para uma rede móvel privada 5G, que tem muitas particularidades, pois é uma rede crítica. Depois, foi necessário um controlo e gestão de projeto férrea, para garantir que nada falhasse.”
“Os desafios para um projeto destes já foram ultrapassados noutros casos que já implementámos. Mas a distância acaba por ser uma barreira e foi a mais dificil de ultrapassar. Obriga a estar mais presente. Conseguimos fazer um projeto muito interessante em tempo quase recorde.”
– Pedro Salgueiro – Head of Large Enterprise and Public Sector, Vodafone Portugal
“Ser ilhéu é ser resiliente, obriga-nos sempre a pensar mais à frente, face às dificuldades da região. Não nos podemos socorrer de nenhuma outra rede e somos obrigados a garantir que a energia não falhe na ilha da Madeira e em Porto Santo. Tínhamos dificuldades em aceder a determinados locais. Com o projeto, queríamos chegar a todo o lado, sem ser fisicamente. O projeto, que é PRR, nasceu dessa necessidade. E cumprimos com os prazos apertados dos procedimentos públicos.”
“Demorámos mais tempo a preparar o processo do que fisicamente a implementar o projeto. Selecionámos 24 localizações-chave onde quisemos garantir uma rede privativa. Sendo que a tendência é para crescer. E, associados à rede, garantir casos de estudo que foram desenvolvidos, de forma que o projeto mostre a situação real e seja possível enviar comandos e receber dados.”
“A EMACOM tem um papel de relevo nas comunicações críticas na Madeira. Nada pode falhar. Este é um projeto a três anos, pelo que estamos ainda numa fase inicial, pois faremos um ano no final de 2026. Vai permitir muito mais funcionalidades e serviços adicionais, que vamos acrescentar a esta rede. Cada vez há mais ideias do que se pode acrescentar.”
– Roberto Almeida Santos – General Manager, EMACOM – Telecomunicações da Madeira
Como transformar uma organização com informação dispersa, processos ainda muito manuais e acesso limitado aos dados numa empresa preparada para tirar partido da inteligência artificial? Foi este o desafio que levou a Sogrape a iniciar, há dois anos, uma transformação transversal assente em três pilares: dados, digitalização e IA. O primeiro passo foi criar as fundações. Com uma estratégia de dados suportada em Google Cloud, consolidou informação proveniente de vários sistemas e criou o Sogrape BI Center, uma fonte única de informação para todo o negócio. Seguiu-se a digitalização e simplificação de processos nas áreas Financeira, Comercial, Marketing, Supply Chain, Operações e Desenvolvimento de Produto. Com estas bases, avançou o Sogrape Bring AI, um programa transversal que leva a IA às pessoas, à produtividade, à criatividade e à criação de valor para o negócio. E os resultados começam a mostrar a dimensão da mudança: só o Sogrape AI Studio permitiu reduzir em cerca de 80% o time-to-market de novas soluções. Mas a transformação não foi apenas tecnológica. Implicou redesenhar processos, eliminar tarefas manuais, desenvolver novas competências e criar uma cultura mais orientada por dados. O caso mostra como construir primeiro as fundações certas permite depois levar a IA à escala da organização e transformá-la em valor concreto para o negócio.
“A Sogrape é uma organização que gera muitos dados. Mas há um tema de dados dispersos e silos de informação. E quando temos uma estratégia de digitalização é muito difícil. Pegou-se nos dados e consolidou-se tudo para tirar partido deles. O projeto foi um trabalho em parceria, assente em tecnologia aberta, para ter mais tecnologias além da Google.”
“Há um ano, quando os agentes de IA começaram a trabalhar, os modelos eram determinísticos e na governança do IT havia de garantir a observabilidade. Mas há um percurso extraordinário e o desafio está a jusante, com a existência de modelos probabilísticos.”
“O que a Sogrape está a fazer é definir o seu modelo de governança, num cenário de múltiplos agentes interoperáveis, onde é preciso garantir que o modelo não alucina. É nesta fase que estamos agora.”
– Jorge Catalão Ramos – Head of Retail, Google
“Somos um grupo familiar de vinhos internacional, que fez o seu caminho de evolução dos processos. Até chegar à decisão de criar uma organização mais digital. Desenhámos uma estratégia assente em três eixos: garantir as fundações, com uma estratégia de dados clara; desbloquear o potencial da IA; e apostar na digitalização dos processos core da organização, tanto junto dos clientes e mercados como internamente.”
“Desenhámos uma estratégia de dados há dois anos e terminou no início do ano passado. Com adoção de tecnologia e centralização da informação, uma ‘fonte única de verdade’, com uma componente analítica e a governance necessária. Neste momento, a informação é acedida de forma massiva, como nunca foi antes. A plataforma cloud ajudou-nos a fazer esse caminho.”
“Depois passámos para uma transformação dos processos core. Transformámos a nossa relação com o cliente em termos globais e apostámos na eficiência operacional. Tirar o máximo de valor e sermos o mais produtivos possível. Depois, os processos de suporte também foram todos digitalizados. Fomos também early adopters na IA, transformando-a numa alavanca de produtividade, criatividade e crescimento. É um caminho de transformação, uma jornada. Começamos nas pessoas, terminamos na tecnologia, com os processos a suportar.”
– Tiago Costa – Head of Digital and Data & AI, SOGRAPE
Como digitalizar o comércio local sem aplicar a mesma solução a territórios com identidades, dinâmicas e necessidades diferentes? Este foi o ponto de partida da Porto Digital (Câmara Municipal do Porto), com a Minsait, para acelerar a transformação digital de dois bairros comerciais do Porto: Bombarda e Baixa. Em vez de começar pela tecnologia, o projeto começou por ouvir o território. Comerciantes, comunidade e outros stakeholders participaram num processo de cocriação para identificar necessidades e perceber que soluções poderiam criar valor em cada bairro. E as respostas foram diferentes. Na Bombarda, o foco está na valorização do território e na experiência de quem o visita. Um Portal Web, uma App com experiências de realidade aumentada e um Dashboard de Analítica juntam-se a quatro kits instalados no bairro, que recolhem informação sobre fluxos de pessoas e veículos. Na Baixa, a prioridade é dinamizar o ecossistema comercial: um CRM centraliza a relação com os comerciantes, um Programa de Fidelização Digital aproxima o comércio dos seus clientes e um Dashboard agrega informação urbana e económica. Mais do que acrescentar ferramentas digitais, o projeto está a mudar a forma como estes bairros conhecem o território, acompanham a atividade económica, comunicam e utilizam dados para decidir. Um caso que mostra que a transformação digital do comércio local não começa na tecnologia, mas sim nas pessoas, necessidades e identidade de cada território.
“Foi um desafio e a uma abordagem diferente do normal. Já sabíamos que tipo de soluções teríamos de desenvolver no final, mas isso não nos dizia o que era preciso desenvolver e endereçar. Foi aí que fomos para o terreno perguntar, ouvir e auscultar os stakeholders. O entusiasmo foi a nota dominante.”
“Foi um processo interessante, que nos permitiu perceber que havia dois bairros distintos com necessidades e desafios distintos. Ativámos uma equipa interna que trabalha precisamente estas dinâmicas de colaboração, de cocriação e de desenho de serviços.”
“O tempo foi um dos desafios, sendo um projeto do PRR. Teve uma implementação com prazos curtos, quando exigia um trabalho de cocriação, em que primeiro ouvimos, testamos e depois implementamos. Falamos de projetos também com variáveis distintas, o que envolve equipas e ferramentas diferentes, que tiveram de ser integradas como se fossem um ecossistema único. E houve o tema da gestão dos múltiplos stakeholders, com proximidade, foco e motivação.”
– Rui Castilho Dias – Manager Setor Público e Territórios, Indra Group
“Bombarda Digital e Baixa Digital são dois projetos que tiveram um impulso do financiamento do PRR. Mas só foi possível fazer acontecer porque já estávamos a trabalhar com estes territórios e sabíamos as suas expectativas de mudança. As soluções digitais que desenvolvemos foram um sucesso porque conseguiram viabilizar tudo o que ouvimos e construímos com a comunidade.”
“Criar estes projetos foi criar uma base, mas ainda com um espaço grande entre o momento em que pensamos o projeto e o momento em que o vamos implementar, que terá de estar ajustado ao momento. Para nós era essencial o espaço para criação e atualização da ideia, que as soluções fossem uma resposta real aos bairros em questão. Ambos têm dinâmicas e formas de trabalhar muito próprias.”
“Ficam aprendizagens, como a de saber como lidar com o tempo, Há um ano e meio estávamos a aprender a trabalhar em conjunto. Parte do sucesso de termos lidado bem com o tempo foi o sabermos bem o que queríamos atingir e os passos que queríamos dar. Houve uma troca grande de aprendizagens que foi essencial. Hoje, já seria diferente. O projeto foi uma fase boa para aprender o que devemos fazer.”
– Elisabete Monteiro – Product Management Lead, Porto Digital
Como se pode gerir um território, quando a informação necessária para tomar decisões está dispersa por diferentes municípios, serviços, aplicações e sistemas? Ultrapassar os atuais silos de informação e dar aos municípios uma visão integrada do território, que permita evoluir de uma gestão predominantemente reativa para uma atuação mais informada e proativa foi o objetivo da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra. Em parceria com a Kyndryl, criou o projeto CIM Região de Coimbra + Inteligente, uma plataforma de gestão urbana de âmbito supramunicipal, capaz de integrar e relacionar dados provenientes de múltiplas fontes, sistemas municipais e sensores. A escala deixa clara a complexidade do projeto: 18 municípios, cerca de 378 mil habitantes e quase 4.000 km² de território, com mais de 350 indicadores e 1.700 sensores. A plataforma abrange dez áreas, da gestão da água, energia, resíduos e transportes à proteção civil, turismo, desenvolvimento económico e saúde. Mais do que concentrar dados numa única plataforma, o projeto pretende mudar a forma como o território é acompanhado e gerido. A interoperabilidade entre sistemas e a informação em tempo real permitem melhorar a monitorização de recursos e serviços públicos, reforçar a partilha entre municípios e criar condições para decisões mais rápidas e fundamentadas. Pela sua dimensão, o projeto exige um processo gradual de adoção, já que implica alterações relevantes ao nível dos processos e da cultura organizacional. Assim como capacitação e alinhamento dos diferentes intervenientes, para assegurar que a solução responde às necessidades do território e é incorporada nas práticas de gestão e apoio à decisão.
“A solução compreende uma plataforma supramunicipal e integradora das diferentes fontes de dados. É ainda composta por 10 diferentes verticais, fundamentais para a gestão do território de cada um dos municípios de per si. A nível tecnológico, a arquitetura é composta por uma solução de inteligência em cloud, com uma multiplicidade de dados de todas as entidades e áreas”.”
“O caminho é de consolidação e da perceção do valor que a solução nos pode trazer. A escala que ela terá de ter, para a gestão dos territórios eficiente, é algo que aguardamos com expectativa que possa acontecer. Mas é preciso dinheiro e vontade para potenciar uma mudança de paradigma na gestão dos municípios.”
“Há muitos exemplos na gestão diária que os autarcas têm de fazer onde dispor de dados atempados e de qualidade é fundamental. A complexidade e toda a envolvência de inúmeros stakeholders, numa multiplicidade de sistemas e com interoperabilidade, a juntar ao desafio da adoção, é uma aprendizagem valiosa para projetos futuros. A IA é a fase derradeira deste tipo de projetos. É um enabler e um catalisador tremendo.”
– Nuno Correia – Network & Edge Practice Lead, Kyndryl
“Tudo nasceu da estratégia nacional de territórios inteligentes. O desafio é gigante em várias componentes: a territorial, a tecnológica e de tempo. Este é um projeto PRR, pelo que tem um tempo muito limitado e exigente a cumprir. Termina a 15 de outubro, o que nos deu um tempo para implementar muito curto.”
“Um dos problemas nacionais é o do investimento. Este projeto, tal como outros em curso, vai permitir dar início a uma nova era de trabalho. Só nos interessam dados que nos permitam tomar decisões mais rápidas e boas. O fundamental é perceber que este é um ponto de partida para o que há que fazer a seguir, que ainda é muito. Vamos ter de ter investimento no território, para o sensorizar todo.”
“Conseguir tomar decisões mais informadas no dia a dia é essencial. Percecionando todas as informações úteis do território a todos os níveis. É um projeto muito abrangente. O futuro é haver mais investimento para alcançar mais fontes de dados. A plataforma de dados é, para já, um agregador, com os sistemas interligados de forma direta.”
– Sérgio Cruz – Especialista de Sistemas e Tecnologias da Informação, CIM Região de Coimbra
O que muda numa fábrica quando máquinas, sensores, sistemas e equipas passam a comunicar em tempo real através de uma rede 5G privada? É isso que a Ria Stone, empresa do grupo Vista Alegre e fornecedora de grandes clientes internacionais como a IKEA, está a concretizar, em parceria com a MEO. O projeto leva o 5G para o centro da operação industrial, criando uma infraestrutura dedicada, segura e de baixa latência para acelerar a digitalização e a automação da fábrica, dedicada à produção de louça de mesa em grés. A solução abrange quatro linhas de produção e suporta cerca de 100 dispositivos e sensores, integrando robótica industrial, AGVs e sistemas de apoio à produção e ao controlo de qualidade. A meta é clara: aumentar a eficiência, reduzir o desperdício e avançar em direção à rejeição zero. Com informação operacional disponível em tempo real, será ainda possível melhorar a monitorização da produção e dos equipamentos, antecipar desvios e evoluir para áreas como manutenção preditiva, supervisão remota e gestão centralizada de ativos. Mais do que conectar uma fábrica, o projeto está a criar a infraestrutura para uma operação industrial cada vez mais automatizada e orientada por dados. É um exemplo do papel do 5G como um enabler da Indústria 4.0, permitindo testar, em ambiente produtivo real, novos modelos de automação, controlo e decisão baseados em dados.
“A forma como a MEO tem dado resposta a este tipo de desafios, como a Visabeira, passa por virtualizar o hardware do chão de fábrica, e trazê-lo para um universo virtual através de uma rede 5G de alta disponibilidade e baixa latência. Com isso, conseguimos trazer toda a complexidade de processamento do chão de fábrica para um nível superior, para que toda a informação seja recolhida, processada e tratada.”
“Para o futuro, o que nos espera é uma visão de três pilares e uma arquitetura integrada. Orquestrada por uma IA multiagente, suportada numa infraestrutura 5G SA e apoiada por uma plataforma de gémeo digital.”
“Qualquer indústria pretende ter uma rejeição zero de produtos e sabemos que, por motivos de qualidade, isso não é totalmente possível. Neste processo de produção, o mecanismo de geração de informação através dos gémeos digitais e com uma IA multiagente vai passar a informação às várias áreas do processo produtivo para melhorar o ciclo de produção. No futuro, queremos avançar com os operadores sintéticos.”
– Marco Graça – Sales Director, MEO Empresas
“O desafio vem da Visabeira indústria, unidade com sete instalações fabris. Uma delas só produz loiça para o Ikea – cerca de 50 milhões de peças por ano – com uma produção massificada. Na Ria Stone temos grandes desafios de produção: temos sistemas legacy de 40 a 50 anos e, ao mesmo tempo, sistemas deeptech embebidos na linha de produção. São sistemas desconexos em termos de informação e que têm de evoluir para um sistema único.”
“O que a MEO nos propôs foi funcionar como um operador full circle, saindo da visão tradicional da indústria, e passar a ser uma operação totalmente diferente. Com virtualização numa fábrica digital, criando um orquestrador de fábrica em data center. Coordena todas as operações que estão a ser realizadas na fábrica, com um digital twin, o que permite fazer coisas inéditas. Como sincronizar todos os equipamentos, de acordo com o tipo de produção.”
“Na Ria Stone temos um ciclo total de produção de cerca de 14 horas. O objetivo é diminuir o ciclo para 10 horas, o que permite uma maior capacidade de produção.”
– Paulo Soeiro Ferreira – Head of Engineering and Innovation, Visabeira Global
A NOS desenvolveu uma aplicação de IA generativa para apoiar a sua força comercial B2B, reunindo num único ponto informação interna e externa sobre clientes, prospects, produtos e oportunidades de negócio. O Sales Assistant B2B integra dados provenientes de diferentes fontes e disponibiliza-os através de uma interface conversacional e de uma visão estruturada da carteira comercial. A solução inclui ainda funcionalidades prescritivas que ajudam os consultores a priorizar empresas, gerar resumos personalizados e identificar as ações comerciais mais adequadas para cada cliente. Disponível para toda a força comercial B2B da NOS, composta por cerca de 80 consultores, a aplicação regista mensalmente entre 4.000 e 5.000 interações, refletindo um nível significativo de adoção. Os resultados mostram um aumento de 2% a 3% nas vendas face ao grupo de controlo e uma melhoria de cerca de 20% na geração de reuniões e apresentação de propostas, libertando os consultores de tarefas operacionais e permitindo-lhes dedicar mais tempo à relação com o cliente e à preparação comercial. O projeto combinou IA generativa, engenharia de dados e design de experiência, acompanhado por uma abordagem estruturada de gestão da mudança, que foi determinante para a adoção da solução.
“O Sales Assistant usa as fontes de informação mais utilizável, a começar pela web. Todas as que possam ser relevantes para a venda. Assim como os serviços ativos do cliente e a base de dados empresarial, com todas as informações necessárias. Depois, vai trabalhar toda a informação através de vários agentes especializados, para entregar toda a informação relevante ao consultor comercial.”
“Temos muitas funcionalidades na aplicação do Sales Assistant. Sendo que os consultores comerciais utilizam mais umas do que outras. Nomeadamente os argumentos de venda perante o cliente, tentando aumentar a conversão com a informação personalizada que fica disponível.”
“Temos todo um contexto gigante sobre a empresa, mas perante este nível de informação, o Sales Assistant pode recomendar o que fazer. Fornece sempre duas a três recomendações e explica todo o raciocínio e o contexto. O consultor comercial decide no final o que fazer, sempre com ajuda do agente.”
– Filipa Matos – Product Owner, NOS SGPS
“Numa lógica de corolário, o que aprendemos em termos de impacto da ferramenta? Na dimensão de utilização, o Sales Assistant é um instrumento bem estabelecido na jornada diária de um comercial. Está disponível para toda a equipa de B2B e tem um nível de utilização médio muito elevado. É importante ainda medir a satisfação, sendo um produto que tem utilização. Ficamos muito satisfeitos na medição do impacto e satisfação.”
“Já em termos de impacto, o grande impacto é que o Sales Assistant é um ‘abridor de portas’. Tem um impacto transversal ao longo do funil, mas diferencia-se sobretudo nos prospects. Com impacto material em vendas, que é bastante significativo e diferenciador ao segmento de grandes empresas e corporate da NOS.”
“O que temos ainda a fazer é apostar na automatização, para facilitar ainda mais o trabalho do comercial, libertando-o para tarefas mais criativas e de maior valor acrescentado. Depois, alargar a outros perfis além do consultor comercial, tornando-o mais abrangente. A proatividade é também muito importante, porque este produto é hoje ainda muito reativo. Temos de adicionar uma camada proativa, tornando o Sales Assistant híbrido. Por fim, a abrangência, com mais features a adicionar para o tornar mais completo. É nisso que vamos trabalhar nos próximos meses.”
– Nuno da Rocha Borges – AI Manager, NOS SGPS
E se um festival pudesse funcionar como laboratório para testar soluções destinadas às cidades? O Smart City of Rock, uma iniciativa criada pela Liquid Innovation em parceria com o Rock in Rio, transformou a Cidade do Rock numa montra de tecnologias smart e num espaço de experimentação em contexto real. O projeto mobilizou empresas tecnológicas, startups, universidades, a cidade de Lisboa e o ecossistema europeu de inovação para desenvolver experiências e testar novas soluções, incluindo a utilização de digital twins. No EVOLVE, será mostrado como é que este ecossistema foi construído, desde a mobilização dos diferentes parceiros e seleção de startups até à experimentação das soluções no terreno, bem como os resultados e aprendizagens alcançados. A ambição do projeto vai além do festival. O objetivo é fazer evoluir o Smart City of Rock para uma plataforma colaborativa B2B e B2G, capaz de aproximar empresas e cidades, acelerar a adoção de tecnologia e desenvolver soluções com impacto na vida das pessoas. Vão ser partilhados os resultados, aprendizagens e o legado do projeto, assim como a forma como as soluções e relações criadas e a própria plataforma tech da Cidade do Rock podem continuar a evoluir e a gerar valor para a cidade e para os parceiros envolvidos.
“No Rock in Rio, falamos de um público muito inverso, com perfis muito diferentes. Dentro do nosso papel de contribuir para um mundo melhor, achámos que podíamos aproximar o festival da tecnologia, criar um ambiente de engagement, para testar novas tecnologias. Temos uma cidade de 100 mil pessoas, com perfis diferentes todos os dias. Pode ser um teste, dando oportunidade às startups, academia e municípios para experimentar num laboratório.”
“A partir do momento em que fazemos venda digital, conseguimos traçar o perfil do consumidor. Há uma série de oportunidades, ao usar a IA, para acelerar a chegada das tecnologias às cidades, empresas e à vida das pessoas.”
“Ter um gémeo digital vai ser muito importante quando trabalharmos em antecipação. Temos três palcos principais a acontecer com programas a decorrer quase em simultâneo. Há uma parte de entretenimento onde o uso da tecnologia deve ser muito simples, outra de monetização, de agendamento para evitar esperas. Passamos a utilizar sem dores com a tecnologia, entregando as melhores soluções.”
– Roberta Medina – Vice-Presidente, Rock in Rio
“Quando recebemos o convite, através do Brasil, para ir para o Rock in Rio, que tem 100 mil pessoas diárias, o desafio foi de como o fazer. O público-alvo são as pessoas no recinto. Hoje, há um grande debate sobre a IA e pensámos como é que uma tecnologia pode ser desconstruída para voltar a construir com novas especificidades e objetivos. Falamos de áreas com objetivos totalmente diferentes e de como as orquestrar para que funcionem.”
“Tivemos vários pilotos ao mesmo tempo, para perceber como as pessoas – tendo objetivos diferentes – conseguem ter uma experiência de qualidade. E fazer gamificação, incentivando as pessoas com determinados objetivos. E fizemos demonstração da própria cidade de Lisboa, com uma extrapolação dos resultados. Foi um desafio muito interessante, perceber o que é que as pessoas querem.”
“Temos de entregar a IA às pessoas, mas a meta é que elas nem o notem. O que nos coloca desafios técnicos, de como o orquestro e de perceber o que as pessoas estão a fazer. Extrapolado para as cidades, permite otimizações de fluxos e decisões em tempo útil. Porque a mesma dinâmica que existe no Rock in Rio pode ser implementada numa cidade.”
– André Godinho Luz – General Manager, The Infinity Foundry
Como criar uma relação bancária 100% digital quando a identificação inequívoca do cliente e a assinatura do contrato continuam a exigir processos seguros e legalmente válidos? Sem uma rede de balcões físicos, este era o desafio do Banco Best. O resultado? Tornou a abertura de conta simples, rápida e totalmente remota. Com a SIBS Multicert, integrou na sua plataforma a solução mTrust, acrescentando os mecanismos necessários para a identificação e contratação digital. Na prática, o cliente passou a poder abrir uma conta sem sair de casa, com validação da identidade por videochamada e assinatura eletrónica dos documentos legais. O processo eliminou a necessidade de deslocações e do envio de documentação, reduziu constrangimentos na relação com o cliente e reforçou o posicionamento do Best enquanto banco digital. Hoje, todos os processos de onboarding do Banco recorrem a estes mecanismos. E a transformação não ficou pela abertura de conta. A solução tem continuado a evoluir, com a adoção de um novo módulo de verificação de identidade através de biometria facial. A tecnologia pode também ser utilizada na autenticação segura no homebanking e no reforço da validação de transações de maior risco, recorrendo ainda a OCR e NFC para identificação remota. O projeto mostra como é possível simplificar a experiência do cliente e eliminar fricção sem abdicar da segurança e da confiança.
“O desafio do banco foi sempre para fazer uma entrega de serviços inovadora. A Multicert é uma empresa certificadora, estamos muito ligados a segurança, tecnologia e identidade digital e já tínhamos ferramentas. O projeto fez evoluir o nosso produto, para conseguir colocar em prática todas as capacidades e oferecer ao banco um resultado impactante para o cliente”.”
“Nos últimos anos, com esta facilidade de acesso a tecnologias mais evoluídas, a IA tem sido um tema. As tecnologias que hoje existem já dão resposta, mas este é um trabalho em contínuo. Temos de ter cuidado, nomeadamente em termos de segurança, porque os ciberataques também têm evoluído muito.”
“As tecnologias existem, têm estado a fazer um caminho de evolução. E a própria regulação está a tentar colocar um nível de segurança e de confiança nos sistemas, para permitir a adoção de novas soluções digitais na banca. Para garantir que se trata de uma área segura.”
– Fernando Vicente – Head of Projects & Innovation, SIBS Multicert
“Abrir uma conta à distância atualmente é uma banalidade. Mas em 2017 foi um desafio. A tecnologia tem de ter gestão e a Multicert foi um verdadeiro parceiro. Sabíamos dos nossos problemas e as oportunidades, mas procurámos um parceiro que fizesse sentido dentro da nossa empresa.”
“A tecnologia é uma ferramenta, mas a empresa tem de estar preparada. Apostamos em algo inovador para endereçar o nosso desafio. Neste tipo de soluções é fundamental saber o que temos dentro de casa e o que queremos efetivamente. E saber como e quando para gerirmos o projeto. Este foi um projeto de sucesso, mas tecnologicamente constituiu um desafio em que a Multicert nos ajudou.”
“Os desafios que temos na IA é utilizar a ferramenta em benefício do banco e dos clientes. Temos de ter calma, ver o que a empresa tem e o negócio. Tem de ter muito cuidado na banca com a interação com o cliente. Haverá uma alavancagem muito maior, mas temos de ser muito prudentes na forma como utilizamos a tecnologia. Mas temos uma lógica de pensarmos sempre à frente.”
– António Martins – Marketing, Communication & Digital Director, Banco Best
Receber faturas de fornecedores, emitir e enviar documentos aos clientes e comunicar a faturação à Autoridade Tributária são processos distintos. Mas que podem fazer parte de uma mesma transformação digital. Foi esse o caminho seguido pelo Crédito Agrícola que, em parceria com a Sovos, desenvolveu um projeto de faturação eletrónica integrada. Objetivo: desmaterializar documentos, automatizar fluxos e assegurar a comunicação da faturação à Autoridade Tributária em tempo real. Do lado dos fornecedores, criou-se um fluxo eletrónico para a receção das faturas. Do lado dos clientes, permite a assinatura digital qualificada e o envio de documentos eletrónicos, em PDF e em dados estruturados, para entidades públicas e privadas, através de EDI ou email. A comunicação com a AT passou a ser assegurada através de um webservice, de acordo com as regras definidas para a transmissão dos elementos dos documentos de faturação. O projeto implicou desenvolver interfaces entre os sistemas da Sovos e do Crédito Agrícola, definir formatos de dados e estabelecer regras de validação, adaptando a solução às especificidades do setor bancário e, em particular, do grupo. Este tem agora um processo mais desmaterializado e eficiente, que permite simultaneamente responder às exigências regulamentares, simplificar a gestão e o arquivo documental e modernizar a relação com fornecedores e clientes.
“Na Sovos fazemos implementações de muitos projetos, mas temos de olhar sempre para as particularidades de cada projeto e cliente. O ponto de partida foi a organização complexa do banco, e tivemos de nos ligar do ponto de vista tecnológico e de relacionamento.”
“Havia três níveis de stakeholders, com milhões de interações, incluindo com o Estado, que exigia uma comunicação em real time. São particularidades e aprendizagens. Devíamos ter ido ao maior detalhe na fase de requisitos, o que teria poupado algumas interações e recuos no projeto. Atuámos nestas frentes e o processo deveria ter sido mais faseado.”
“Hoje, todas as áreas estão implementadas e a funcionar. Do ponto de vista do foco, com esta complexidade, teria sido possível fechar algumas milestones, se tivéssemos avançado com algumas áreas. Mas as equipas estavam motivadas e empenhadas e alcançámos os objetivos propostos. Já muito foi feito e ainda há muito por fazer. Até porque as regras mudam.”
– Pedro Bação – Strategic Account Manager, Sovos
“Este projeto da faturação eletrónica foi um grande desafio e ainda continua a ser. Tínhamos três vertentes. A começar pelos fornecedores, numa estrutura de banca cooperativa, com 67 Caixas Agrícolas no país. Tínhamos de resolver esta receção documental dispersa, em vários formatos. Do lado dos clientes, tínhamos também as contas a receber, com muita faturação diária e elevados custos. Acresce a necessidade de comunicação da faturação à AT.”
“Este desafio não era apenas tecnológico, mas sobretudo operacional, regulatório e organizacional. Por isso, adotámos uma solução integrada. Acabámos com o papel, com integração de sistemas internos, validações automáticas e um arquivo digital único, no caso dos fornecedores. Nos clientes, passámos a emitir, distribuir e arquivar tudo digitalmente. Na comunicação à AT, apostou-se numa solução de conformidade regulamentar à escala, totalmente online.”
“Entre os resultados alcançados, estão a conformidade regulatória. Assim como reduzir o papel, ter mais controlo em todo o processo, um arquivo único digital e conseguir ter uma experiência muito melhor e de mais agilidade. A faturação eletrónica é um verdadeiro processo de transformação, que envolveu múltiplas equipas. Mais do que tecnologia, foram as pessoas e os processos. Transformámos uma obrigação regulatória numa oportunidade de inovação. E ainda há muito que evoluir.”
– Rita Marques – Diretora do Departamento de Contabilidade e Fiscalidade, Crédito Agrícola
Sabe o que muda numa empresa de transportes quando uma operação baseada em papel passa a estar integrada num único ecossistema digital? Foi esta transformação que a Atlantic/Rodocargo concretizou com a Vodafone Portugal, digitalizando processos operacionais que anteriormente dependiam de documentação em papel e integrando-os com os sistemas da empresa, os veículos e a gestão de frota. A solução assenta no ReadyCheckGo e permite ligar os diferentes componentes da operação, incluindo stocks, faturação e informação proveniente dos próprios veículos, como dados do CAN bus. O resultado é uma operação com maior eficiência e controlo, suportada por informação integrada e disponível digitalmente. Esta foi uma mudança que foi muito além da tecnologia. É que passar de processos assentes em papel para uma operação digital implicou redesenhar formas de trabalhar e promover uma mudança cultural, o que exigiu acompanhamento das equipas ao longo da implementação. Comprova que digitalizar não significa simplesmente substituir papel por ecrãs, mas sim repensar processos, integrar dados e sistemas e criar novas formas de gerir uma operação de transportes. E exemplifica como é que a transformação digital pode chegar ao terreno e tornar uma atividade tradicional mais integrada, eficiente e preparada para evoluir.
“Criar um ecossistema conectado, com informação em tempo real para os veículos e os motoristas foi o objetivo. Depois, a informação alimenta toda a empresa. A solução passou por transformar toda a operação, retirando-a da estrada. Com o Vodafone Ready Check Go. o que se conseguiu foi ter um planeamento ao nível do backoffice, sem necessidade de contactar os motoristas um a um, ter relatórios diários automáticos e criar um portal do cliente.”
“Temos acompanhado a evolução da Atlantic e comprovado que conseguimos trazer eficiência à operação. Melhorámos significativamente em várias áreas. Houve pequenos detalhes que fizeram com que tudo ficasse mais eficiente. O segredo foi o envolvimento das pessoas.”
“A componente de otimização da rota dos motoristas é algo que já estamos a trabalhar. É um conhecimento que estamos a adquirir na Vodafone, para poder trazer as melhores práticas na componente da IA para este setor específico e para a empresa em concreto. Um ponto muito positivo do projeto tem sido o envolvimento dos motoristas na definição e desenvolvimento da solução. Isso permitiu o sucesso na sua adoção.”
– Rui Luís – IOT Business Developer, Vodafone Portugal
“A Atlantic está muito dedicada ao transporte de energia. Tendo os clientes algumas exigências e obrigando ao cumprimento de normas ADR. Uma grande parte das viaturas circula a dois turnos, sendo os trabalhadores móveis. Numa primeira fase, tínhamos o processo operacional todo em papel, com perda de processos e muitos atrasos.”
“Tivemos de avançar com a digitalização, inicialmente com sete viaturas para testar, dada a idade média dos motoristas. Em três meses, passámos de 5% dos motoristas para a totalidade e com sucesso. Não houve grande resistência. E percebemos que já não era só o processo de registo dos motoristas, mas sim a recolha de informação em várias áreas. Todos os departamentos da empresa tiveram de implementar a solução e para os clientes criámos um portal de cliente inovador pelo menos para a área de combustíveis.”
“Quando começámos a ter benefícios na área digital, começam a surgir outras ideias. E dá para inventar. O grande benefício para qualquer gestor é ter a informação just in time para análise. Isso faz realmente a diferença. Temos a informação em 24 horas, depois da necessária limpeza e correção de dados. O que permite atuar de imediato, com uma tomada de decisão atempada. Este é um setor que tem muitos problemas. Agora, o caminho vai passar pela IA.”
– Paulo Fragoso – Diretor de Operações, Atlantic Cargo
Como pode um país ou uma cidade competir pelo investimento se continua a tomar decisões com informação fragmentada e dados que mostram sobretudo o que já aconteceu? A Delta Y está a desenvolver uma plataforma de inteligência socioeconómica, para dar a governos e entidades públicas uma visão integrada e atualizada dos seus territórios, apoiando decisões sobre desenvolvimento económico e atração de investimento. Em vez de depender apenas de relatórios e informação dispersa, a solução reúne numa fonte única de informação indicadores como fluxos de capital, criação de empresas e atividade em infraestruturas, permitindo acompanhar a evolução do território e identificar mudanças em tempo útil. A abordagem combina tecnologia com transformação organizacional. A equipa trabalha diretamente com cada instituição para resolver primeiro um problema concreto e, a partir daí, reorganizar os dados e os processos que o suportam, procurando deixar capacidade instalada na própria organização. A Delta Y quer colocar nas mãos dos decisores públicos uma capacidade de análise mais próxima daquela que as empresas já utilizam para gerir os seus negócios.
“A Delta Y trabalha com entidades públicas e governos para resolver problemas de dados. Que são diferentes, tendo de se saber onde devemos decidir, o que devemos priorizar. Mas com a dispersão de dados, é muito difícil agregar toda a informação em tempo útil. Acresce que os dados estão partidos e incompletos.”
“Temos o objetivo para criar a infraestrutura necessária para medir e processar dados e acelerar as decisões públicas. Cria-se uma camada de inteligência sobre os dados, que permite cruzá-los de várias formas.”
“Acreditamos que uma das coisas mais importantes será não só ter dados e informação em tempo real, mas que estes possam aproximar-se da realidade, para prever qual o resultado ótimo”
– Rafael Nicolau – Co-founder, Delta Y
E se a inteligência artificial fosse além da resposta a perguntas e participasse diretamente na operação de uma empresa? É esta a proposta da ENGIBOTS, que desenvolveu uma plataforma onde modelos de linguagem, RPAs inteligentes e agentes de IA trabalham em conjunto para automatizar processos empresariais. A solução introduz uma componente essencial de controlo: cada decisão automática recebe um grau de confiança e, sempre que esse nível não é suficiente, a decisão é encaminhada para uma pessoa. No Start-up Showcase, vai mostrar esta abordagem através de um caso real: os pedidos de orçamento e encomendas recebidos por email são interpretados pela plataforma, que gera os orçamentos e regista as encomendas diretamente no ERP. Este é um exemplo de como a IA pode evoluir de ferramenta de apoio para parte integrante dos processos empresariais, combinando automação e intervenção humana nos momentos em que esta acrescenta valor.
“Somos uma empresa que trabalha em automação de processos e adoção de IA nas empresas. Apostamos em transformar processos manuais e dispersos em operações inteligentes”
“A nossa visão é usar a IA e as tecnologias de automação como parte integrante da operação, automatizando todos os processos e não apenas uma parte deles.”
“Tornamos a nossa visão possível com a criação de uma plataforma com uma arquitetura que pode utilizar vários modelos, prompts dinâmicos, aprendizagem contínua e scoring de confiança, sempre com um humano no controlo do sistema. Já estamos a construir operações com a IA e não apenas a conversar com ela.”
– Ricardo Silva – CEO, Engibots
“O nosso objetivo com o EVOLVE é criar uma biblioteca de casos de transformação digital em Portugal com os nossos associados, que são diversos, porque somos uma associação de ecossistemas. Cada associado traz um cliente e apresenta-se um caso.”
“O EVOLVE, porque traz casos concretos, é uma janela única, transparente, como é que o país está a mudar. Porque o que faz o país mudar são as mudanças nas empresas, autarquias e setor público. E isso acontece todos os dias.”
“Há três anos, fizemos um evento apenas sobre IA e hoje todos eles têm a tecnologia. É uma ferramenta, como outras, para potenciar a transformação digital das organizações. É essa transformação, toda somada, que faz a transformação do país como um todo.”